O Desemprego Jovem em Portugal

Laboratório de Investimento Social

“(…) De acordo com dados de 2011 do Eurofound, um NEEF português (não empregados, não estudantes, e que não estão em formação) custa em média €8.610 por ano ao Estado, o que representa um total de €2.690 milhões por ano.”

Portugal enfrenta hoje uma séria crise no que diz respeito ao desemprego jovem. Em Dezembro de 2014, cerca de 3 em cada 10 jovens ativos dos 15 aos 24 anos encontrava-se desempregado, de acordo com o Eurostat. [Jovens ativos representam os jovens empregados por conta própria ou por conta de outrem e os desempregados, que se encontram disponíveis para trabalhar e que nas passadas quatro semanas fizeram algo para encontrar emprego.]

Para piorar o cenário, consideremos ainda os jovens que não entram nesta estatística por serem inativos, isto é, os NEEF (não empregados, não estudantes, e que não estão em formação), que representam 17,3% dos jovens portugueses*. Existem variadíssimas razões para os jovens pertencerem a categoria, no entanto vários estudos comprovam que as consequências desta realidade são extremamente complexas, tendo implicações a vários níveis.

A nível individual, um jovem que passe um longo período inativo tem grandes probabilidades de sofrer de baixa autoestima, exclusão social ou de um “wage scar”, isto é, de no futuro ter um rendimento abaixo do rendimento médio de pessoas com formação e experiência equivalentes. A nível social estas pessoas tendem a ter uma atitude passiva e falta de participação social, o que no longo prazo acaba por ter implicações negativas para a sociedade como um todo. Finalmente a nível económico, este problema tem custos associados para o Estado e, consequentemente para os contribuintes, como subsídios de desemprego, contribuições fiscais desperdiçadas e capital humano e produtividade desaproveitados. Em suma, de acordo com dados de 2011 do Eurofound, um NEEF português custa em média €8.610 por ano, o que representa um total de €2.690 milhões por ano.

Popularmente, este problema é muitas vezes associado à conjuntura macroeconómica que o país tem atravessado nos últimos anos, que levou a ajustamentos no mercado de trabalho forçando tantas empresas a fecharem portas ou a reduzirem o número de colaboradores.

No entanto, as causas deste problema são mais complexas que isto. Por tal como sugerido no estudo Faz-te ao Mercado desenvolvido pela TESE, podemos falar da existência de um paradoxo de mercado, ou seja, um mismatch entre procura e oferta de trabalho. Do lado da oferta, existe um número limitado de vagas disponíveis, que se acentua mais em algumas áreas que outras, como por exemplo enfermagem; por outro, do lado da procura, a formação e competências de muitos jovens não se adequa às competências exigidas pelos empregadores que admitem deixarem vagas por preencher devido à dificuldade em encontrar os candidatos certos com a formação e/ou as competências necessárias para determinada posição.

Isto leva-nos a ir além do problema do desemprego, e a iniciar conversações sobre empregabilidade, isto é, a preparação que o jovens portugueses têm para entrarem no atual mercado de trabalho.

A melhoria da empregabilidade e o aumento do emprego jovem são atualmente uma prioridade nas agendas nacionais e europeias, pelo que diversas estratégias para as combater estão a ser desenhadas e implementadas, algumas passando pela implementação de Títulos de Impacto Social a soluções eficazes e de potencial escalabilidade.

No entanto, é necessário realçar a importância de um estudo aprofundado do problema social, que identifique as causas e as consequências do mesmo no contexto nacional, incluindo uma revisão exaustiva dos custos associados. Este é um trabalho que o Laboratório de Investimento Social está neste momento a realizar, utilizando como objeto de estudo o programa de empregabilidade da TESE, Faz-te Foward, a ser apresentado num futuro post.

*Dados relativos ao ano de 2013 e aos jovens entre os 15 e os 29 anos (OECD 2015)

Rita Casimiro

A Rita integra o SIB Research Programme e está a desenvolver um estudo de viabilidade para um Título de Impacto Social na área da empregabilidade jovem. 

Não há comentários

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *