O Peso Económico da Diabetes em Portugal

Duarte Carmo Garcia

De acordo com a mais recente publicação do Observatório Nacional da Diabetes, estima-se que a diabetes custe ao estado português cerca de 1,7 mil milhões de euros, por ano. No entanto, estes valores apenas contabilizam os custos da doença na área da saúde. Também existem custos indiretos longitudinais que devem ser considerados quando se pretende auferir a dimensão económica deste problema.

Como já foi apresentado num artigo anterior – Os números preocupantes da diabetes, o panorama mundial da doença é extremamente preocupante pois afeta 387 milhões da população mundial (8,3% da população global). Para este nível de incidência existe um custo económico associado às despesas de saúde incorridas, e não só. É esta composição económica que abordo esta semana.

De acordo com a Federação Internacional da Diabetes, a despesa mundial da saúde com a diabetes esteve na ordem dos 612 milhões de dólares em 2014. Considerando que até 2035 estão previstos o aparecimento de 205 milhões de casos novos, pode-se concluir que as despesas relacionadas com a doença irão aumentar seriamente.

Pegando no caso específico de Portugal, onde atualmente existem mais de 1 milhão de diabéticos, estima-se que os custos médicos de um diabético, por ano, custem ao estado cerca de 1.700 euros. No total, a diabetes custa cerca de 1,7 mil milhões de euros, por ano. Para se ter uma ideia, estes valores representam cerca de 10% do gastos da saúde e 1% do total do PIB nacional.

Contudo, é preciso ter em atenção que estes valores são apenas referentes a custos médicos. Para além deles, existem custos que não estão a ser quantificados, como os custos indiretos que afectam a produtividade de toda a sociedade.

De acordo com a American Diabetes Association, os custos indiretos da diabetes podem decompor-se nos seguintes: 1) Absentismo – Pessoas com diabetes tendem a faltar entre 1,8% a 7% do total de dias comparativamente a indivíduos sem diabetes, devido a fracas condições de saúde; 2) “Presenteeism”, isto é, redução da produtividade no trabalho – estima-se que indivíduos com diabetes são 6,6% menos produtivos do que indivíduos sem diabetes; 3) Inaptidão para trabalhar – Indivíduos com diabetes têm maior probabilidade de ficar de fora do mercado de trabalho, principalmente devido à incapacitação física; e 4) Morte prematura, o que leva a uma perda da produtividade futura – neste caso, calcula-se o valor presente dos potenciais ganhos futuros perdidos.

Para além destes, o governo também tem gastos com os subsídios de doença intitulados a diabéticos incapacitados, os quais são atribuídos pela segurança social. A percentagem de diabéticos que recebe este tipo de benefícios sociais, está na ordem dos 5%.

Por fim, deve ainda ser considerado o impacto psicológico que a doença pode causar, incluindo a dor, a frustração e o stress, e que se pode traduzir na afetação drástica da qualidade de vida. Este, no entanto, é mais intangível e difícil de mensurar.

Considerando todos estes aspetos, a Associação Protetora dos Diabéticos de Portugal (APDP) estima que o custo total da diabetes, em Portugal, ultrapasse os 2 mil milhões de euros, por ano. Porém, é imperativo aperfeiçoar os sistemas de informação que permitam um registo e análise mais fiável de todos os custos associados à diabetes. Chegar ao valor próximo do custo real da diabetes, será um passo muito importante para melhor se entender as estratégias a adoptar, de forma a reduzir a sua incidência e custos associados.

No âmbito do estudo de viabilidade de um Título de Impacto Social como mecanismo financeiro para prevenir o desenvolvimento da diabetes do tipo 2, a quantificação rigorosa deste problema social é um elemento fundamental para a determinação do impacto social e económico do modelo.

Duarte Carmo Garcia
O Duarte integra o SIB Research Programme e está a desenvolver um estudo de viabilidade para um Título de Impacto Social na área da diabetes Tipo 2.

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