Um plano para a construção do mercado de investimento social em Portugal

Joana Cruz Ferreira
“Vivemos tempos de crescentes desafios sociais. Números como os 17.4% de abandono escolar precoce, 34.5% de desemprego jovem, ou 46.9% de cidadãos em risco de viverem abaixo da linha de pobreza antes de transferências sociais, representam desafios sociais complexos e que exigem novas soluções.”

É assim que começa o relatório final do Grupo de Trabalho Português para o Investimento Social (GT) – uma iniciativa da Fundação Calouste Gulbenkian, da Social Finance UK e do Laboratório de Investimento Social, lançada há mais de um ano, com o intuito de juntar várias personalidades para pensar na criação de um novo mercado em Portugal.

O mercado de investimento social é/será o espaço em que diferentes agentes investem em entidades da economia social com o objetivo de gerar simultaneamente retorno social e financeiro. Tal como esclarece o relatório, o investimento social (nas suas várias formas e materializações) constitui uma alternativa para apoiar as entidades da economia social no acesso a financiamento adequado às suas necessidades de modo a melhorar as suas capacidades de gerar impacto soluções inovadoras para os mais variados problemas sociais do nosso país.

“Novas abordagens para mobilizar financiamento para a inovação social em Portugal” – como se intitula o relatório, já está disponível em português e inglês. Foi publicamente apresentado no Social Innovation World Forum’15 por cinco dos 20 membros que constituem o grupo – Miguel Athayde Marques (Coordenador do Portugal Economy Probe), Carla Pinto (Vice presidente da CASES), Domingos Soares Farinho (Instituto de Ciências Jurídico-políticas da Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa), Gabriela Figueiredo Dias (Vice-Presidente da CMVM) e João Pedro Tavares.

Este relatório final é a consolidação do trabalho de investigação e reflexão, análise e discussão, sob o qual os membros se debruçaram nos últimos meses. No mesmo, são apresentadas as cinco recomendações do grupo para que dentro dos próximos anos existam as condições necessárias para que o novo mercado funcione eficientemente, nomeadamente:

1. Fortalecer as competências das entidades da economia social, através de programas de capacitação

2. Introduzir instrumentos financeiros adequados às necessidades das entidades da Economia Social

3. Promover uma cultura de orientação para os resultados no seio dos serviços sociais público

4. Criar um centro de conhecimento e recursos para o investimento social

5. Desenvolver um ecossistema de intermediários de investimento social

O GT aponta ainda as ações concretas que deverão ser tomadas e os atores melhor posicionados para implementar cada uma das recomendações. Foi preocupação dos membros definir um plano de contrução para este mercado possível de concretizar.

Cientes de que a vontade e empenho do grupo não será suficiente, o relatório termina com um apelo aos principais partes interessadas – sejam elas entidades da economia social, entidades do setor público, intermediários, universidades, consultoras ou investidores, para participarem ativamente na construção do mercado de investimento social.

Convidamos todos a ler o relatório, a enviar dúvidas e sugestões, caso considerem pertinentes para o entendimento do tema. Tomaremos o verão como período de maturação de todas ideias, adiantando já que os membros do GT têm reunião agendada para Setembro para discutir a implementação e monitorização dos diferentes planos de ação.

Download relatório (PT)

Assistir apresentação relatório (PT)

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